segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CONTRIBUIÇÕES DA DIDÁTICA PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR



A discussão sobre a formação do professor tem ocasionado muitos debates nos últimos tempos, todavia o conteúdo destes de alguma forma está refletindo na prática pedagógica de cada professor, permitindo-lhe uma reflexão mais profunda sobre a didática desenvolvida em nossas escolas e a apropriação do conhecimento. Por essa razão, percebe-se que as questões relacionadas à formação do professor e sua prática têm toda uma relação com a forma como ele compreende o que é didática e a relação da mesma com o momento histórico e social de determinada sociedade.
Segundo Penin (1994), “a Didática é a forma como o ensino é conduzido, tendo como objeto de estudo a situação ou o acontecimento de ensino”.Porém, ao longo da história da educação brasileira, percebe-se que o período anterior aos anos 80 foi marcado pelas pedagogias tradicional, tecnicista e nova que concebiam a didática de forma repetitiva, técnica, fragmentada. Há, nessas abordagens, uma semelhança entre plano e planejamento, não considerando o caráter de flexibilidade que todo planejamento deve possuir. A didática aplicada é voltada para o repasse do conhecimento sem a perspectiva de construção e reconstrução do mesmo; tem como objetivo a mudança do comportamento, possuindo função ideológica e pedagógica previamente determinada. As pedagogias acima citadas são bastante notadas na formação do professor atual, sendo a tendência tradicional o mais presente. Essa tendência transmite o conteúdo como verdade a ser assimilado pelo aluno. É a predominância da palavra do professor, das regras impostas, do cultivo exclusivamente intelectual. O professor é o principal sujeito do processo ensino-aprendizagem; em suas mãos, está o poder decisório quanto à metodologia e avaliação do conteúdo, isto é, “a prática tradicional é caracterizada pelo ensino “blá-blá-blante”, salivante, sem sentido para o educando, meramente transmissor, passivo, acrítico, desvinculado da realidade, descontextualizada” Vasconcelos (1995, p.20).
As tendências liberais (tecnicista e renovada), apesar de repensar o lugar do professor vendo-se como auxiliar no desenvolvimento do aluno, permanecem sem perceber o caráter histórico e social da educação, servindo ao modelo político vigente. As principais características da didática repetitiva vivenciada nas pedagogias tradicional, tecnicista e nova são:
•Excessivamente técnica;
•Acrítica e reprodutora com relação à sociedade;
•Mero receituário para levar a aprendizagem (memorização);
•Possui visão dicotômica por não relacionar o sujeito ao objeto e a teoria à prática;
•Tem por base leis e normas preestabelecidas pelo sistema;
•Não se preocupa em criar e produzir uma nova realidade, e sim, em ampliar o que foi criado;
•O planejamento é feito de forma inflexível, sendo burocratizado;
•Não possui visão histórico-social, sendo distante da realidade de alunos e professores.
A avaliação nesse período tinha como função classificar, medir, selecionar, e, muitas vezes, era um instrumento de punição. E isto era confirmado pela tensão dos alunos no momento da prova e pela postura autoritária do professor, já que tal prática mantinha sua imagem de “professor exigente”, ou seja, “avaliação propicia a alguns professores um caráter autoritário, prepotente e segregador, centralizado nas mãos arrogantes deste ou daquele que fazia de sua nota seu instrumento de sadismo ou sua maneira egocêntrica de selecionar os bons e os maus”, afirma Antunes (2002, p.13).

Com o amadurecimento da sociedade e a contribuição de homens como Paulo Freire, Piaget, Vigotsky, entre outros, a humanidade refletiu, ampliou e reformulou suas concepções políticas e sociais. Por conseguinte a didática também foi sendo ampliada, refletida, reformulada e transformada. Desse modo, falar em didática é refletir sobre o ensino e a aprendizagem, é repensar sobre a concepção de conhecimento por parte do professor, suas competências como profissional da educação. Portanto, defenderemos uma didática reflexiva voltada para a construção do conhecimento sistematizado, o saber cotidiano e a vivência na construção do conhecimento do professor sobre o ensino. No entanto, percebe-se ao longo da história que essa compreensão sobre didática é recente, data-se dos anos 80 com a chegada das idéias construtivistas ao Brasil e a aceitação dessa abordagem por parte dos professores. A didática adequada a esta concepção de ensino é reflexiva dialética. Passa-se aqui centrado nos estudos de Piaget e Vigotsky a existir uma preocupação com a construção do conhecimento, dando ao conteúdo uma forma coerente com a perspectiva histórica e ideológica do movimento. A didática utilizada pelo professor deve dar ao aluno a oportunidade de ser sujeito de sua própria educação e lutar pela transformação social.
Entre as principais características da didática reflexiva, podemos citar:
•Crítica e transformadora com relação à sociedade;
•Assume a dimensão política, histórica e social da educação;
•Compreende o conhecimento como processo, trabalhando-o a partir da realidade do aluno;
•Articula teoria e prática;
•Possui caráter criador;
•Busca uma ação recíproca entre professor e alunos (troca de conhecimentos);
•Estabelece uma relação entre finalidade e ação, saber e fazer, concepção e execução;
•A avaliação é vista de forma contínua, vivenciada em todo o período escolar e não somente concentrada nos momentos de provas e exames.
•É capaz de contribuir para a construção de um novo homem e de uma nova sociedade.
Hoje vivemos a era do conhecimento, a globalização, a revolução da informática e dos meios de comunicação faz com que a cada instante chegue até nós novos estudos, novas concepções, novos conhecimentos. Conseqüentemente, faz-se necessário aprimorarmos a didática que utilizamos como profissionais da educação. É cada vez mais necessário vivenciarmos uma didática reflexiva, repensar nossas competências profissionais e assumirmos nossa formação continuada. “O exercício e o treino poderiam bastar para manter competências essenciais se a escola fosse um mundo estável. Ora, exerce-se o ofício em contextos inéditos, diante de públicos que mudam, em referência a programas repensados, supostamente baseados em novos conhecimentos, até mesmo em novas abordagens e novos paradigmas. Daí a necessidade de uma formação contínua.” Perrenoud(2000, p.156)
Não podemos aqui afirmar que possuímos todas as competências de um professor construtivista, que apoiamos nossa prática em uma didática unicamente reflexiva e dialética, visto que somos fruto de uma escola tradicional e por muitos anos vivenciamos a didática repetitiva. Temos convicção de que o novo nasce do velho e é a partir da desconstrução e reconstrução de velhos paradigmas que estaremos prontos para: “organizar e dirigir situações de aprendizagem; administrar a progressão de aprendizagem; conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação; envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho; trabalhar em equipe; participar da administração da escola; informar e envolver os pais; utilizar tecnologias novas; enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão”Perrenoud (2000, p.155).Poderemos ousar ao afirmar que somos profissionais em transição e que essa é a palavra chave para a construção do profissional do futuro. Necessitamos avaliar nossa didática, reaproveitando os pontos positivos e reformulando os não satisfatórios. Só a partir do momento em que nos colocarmos como aprendizes e reconstrutores da nossa prática, é que estaremos trilhando o caminho que todo professor deve trilhar para ser um profissional condizente com o momento histórico em que vivemos.

DIDÁTICA


O TERMO DIDÁTICA
 Foi instituído por Comenius (Jan Amos Komensky) em sua obra Didática Magna (1657), e originalmente significa “arte de ensinar”. Durante séculos, a didática foi entendida como técnicas e métodos de ensino, sendo a parte da pedagogia que respondia somente por “como” ensinar. Os manuais de didática traziam detalhes sobre como os professores deveriam se portar em sala de aula. Tradicionalmente, os elementos da ação didática são: professor, aluno, conteúdo, contexto e estratégias metodológicas. Com o estudo dos paradigmas educacionais nos cursos de pedagogia e de formação de professores, amplia-se o conhecimento em relação à didática. Em cada tendência pedagógica diferem visão de homem e de mundo e modifica-se a finalidade da educação, mudam o papel do professor, do aluno, a metodologia, a avaliação, e, consequentemente, muda-se a forma de ensinar.
 Atualmente, a didática é uma área da Pedagogia, uma das matérias fundamentais na formação dos professores, denominada por Libâneo (1990, p. 25) como “teoria do ensino” por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. Segundo Libâneo (1990):a ela cabe converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. [...] trata da teoria geral do ensino (p. 26).
A disciplina de didática deve desenvolver a capacidade crítica dos professores em formação para que os mesmos analisem de forma clara a realidade do ensino. Articular os conhecimentos adquiridos sobre o “como” ensinar e refletir sobre “para quem” ensinar, “o que” ensinar e o “por que” ensinar é um dos desafios da didática. Segundo Libâneo (1990), a didática é:uma das disciplinas da Pedagogia que estuda o processo de ensino através de seus componentes – os conteúdos escolares, o ensino e aprendizagem – para, com o embasamento numa teoria da educação formular diretrizes orientadoras da atividade profissional dos professores.Esse mesmo autor indica que a didática “investiga as condições e formas que vigoram no ensino e, ao mesmo tempo, os fatores reais (sociais, políticos, culturais, psicossociais) condicionantes das relações entre docência e aprendizagem” (p. 52).A didática, fundamentada na dialética, é um campo em constante construção/reconstrução, de uma práxis que não tem como objetivo ficar pronta e acabada.

A FUNÇÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO INFANTIL


A transformação ocorrida nas estruturas familiares na sociedade contemporânea modificou o olhar para a criança. Atualmente, a criança detém direitos, como o aumento do período da infância, pois, a necessidade do ingresso no mercado de trabalho é proibido. Portanto, a criança tornou-se um ser com identidade social, não sendo visto secundariamente.
Com o surgimento de diferentes estruturas familiares, desencadeou-se uma conseqüência: os cuidados e a educação da criança de zero a seis anos. A partir daí, o estado juntamente com a família, tornam-se responsáveis pelo desenvolvimento integral da criança.Nesse sentido, a Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, objetiva o papel social de valorizar os conhecimentos adquiridos e proporcionar novas possibilidades de conhecimentos.
Quanto à função pedagógica, interligada à função social, deve conscientizar o corpo docente de que, o trabalho com a realidade sócio-cultural da criança deve ser aliado ao processo de cuidar e educar. Baseando-se nas teorias piagetianas e de outros pensadores da área da Educação, o desenvolvimento acontece do social para o individual, já que somos sujeitos culturais. Focando-se na área de Educação Infantil, percebemos a construção da identidade e autonomia na criança.
A Educação Infantil, ainda assume o caráter assistencialista provindo de suas origens, mas, ruma para novos caminhos na tentativa de tornar-se reconhecida como etapa primordial do desenvolvimento do ser humano explicitando os objetivos do desenvolvimento nos seguintes aspectos: socialização, ética, raciocínio, hábitos, habilidades, expressão pessoal e coletiva, emoções e conhecimentos (sociais morais e mentais).
Na prática, a boa escola de Educação Infantil, percebe-se que, primordialmente, deve estimular a independência responsabilidades, interesses na aprendizagem, enfim, hábitos que a criança aprende e nunca mais esquece,tornando-se um ser social, estruturados nos quatro pilares da Educação: conhecer, fazer, conviver, e ser.
CONCLUSÂO
As crianças pequenas no âmbito nacional devem manifestar-se através de brincadeiras, interação social com crianças ou adultos, afetividade, auxiliando o desenvolvimento de sua identidade sócio-cultural no ambiente escolar e familiar tendo como mediadores os educadores de Educação Infantil e ainda pais ou responsáveis.
A responsabilidade social da escola é de suma importância para o desenvolvimento integral da criança. É visto que, há uma visão deturpada da sociedade, no que diz respeito ao verdadeiro sentido do ingresso das crianças nas instituições de Educação Infantil. Paralelamente, há uma valorização dessa etapa escolar interligadas às outras etapas, principalmente ao Ensino Fundamental, pois é de grande auxílio para o seu sucesso.
Percebe-se então que a Educação Infantil seria o alicerce de uma casa, e as outras etapas de ensino, paredes e demais acabamentos. Assim, concluí-se sem alicerce a casa cai.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORGES, Teresa Maria Machado; A criança em idade pré – escolar. Ed.Ática, Sâo Paulo, 1994. 
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. Lei n.8.068, de 13/07/1990: Brasília. DF. 1990.
________ Lei 9394 de 20/12/1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996. 
________ Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, v.2, Brasília, DF, 1998.

PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO